28.11.07
HOMENS SÃO TODOS IGUAIS
Já passavam das vinte e duas horas da sexta-feira quando ele ligou para o compadre.
- E aí? Tá tudo certo pra mais tarde, né?
- Sim, sim.
- Então, olha só, daqui a uma hora eu saio daqui. A Paula quer ir pra balada, mas vou jogar um caô de que estou cansado, com sono, que trabalhei muito...
- Ok.
- Mas e você?
- A mesma coisa.
- Como assim a mesma coisa?
- A mesma coisa! – Repetiu em tom forte, seguido de um breve silêncio de ambos. Deu pra escutar o som da linha telefônica.
- Ah, entendi! Você também vai sair daí daqui a uma hora!
- Putz, até que enfim, né...
- Então ok. Daqui a uma hora te encontro no Pão de Açúcar pra gente comprar a cerveja.
- Tranqüilo.
- Daí a gente...
- Gustavoooooooo! Vidinha, pega a toalha pra mim?
- Tô indo, vida! Preciso desligar! A Paula tá saindo do banho! Daqui a uma hora então.
- Belê.
- Quem era, amor?
- Era o Gustavo. Queria saber se eu estarei com o Caio amanhã.
- Ué, mas a esta hora?
- (Fodeu!) Er...Bom, é que, digo...É que ele acabou de ver um comercial de um circo que vai estar na cidade amanhã.
- Mas você nem vai pegar o Caio amanhã...
- (Ai, fodeu, fodeu!) Ah...É verdade, né? Sabe que eu nem lembrava? Vou falar pra ele amanhã...Hum, a gente pode começar a ver o filme. Tô meio cansado. – Disse ele bocejando.
Meia hora depois.
- É melhor eu ir, amor. Mal tô conseguindo ver o filme de tanto sono...– Disse, mais uma vez, bocejando.
- Tá bom, amor. Boa noite pra você.
- Pra ti também! – Bocejou novamente.
- Caramba, Fernando, tô até preocupada com esse seu sono. Vai com cuidado, ok.
- Tá bem. Tchau, amor.
- Tchau.
- Alô, cumpadi? Tô saindo da casa da Carol agora. Vai comprando a cerva pra gente não perder tempo!
- Compro uma ou duas caixinhas de Skol?
- Duas, porque esta madrugada promete muito! Hehehehe.
- Hehehehe. Beleza!
Algumas horas e muitas cervejas depois.
- Se eu soubesse que iria me dar mal desse jeito, teria ficado na casa da Paula. – Disse ele com a voz meio fanha.
- Rá! Olha pra isso! Deixa de ser cuzão, Gustavo, seu bêbado! Pô, cumpadi, vai dizer que não valeu nem pela cerveja? – Disse ele, também com a voz embriagada.
- Valeria mais ainda se eu não tivesse perdido o prêmio!
- Hahahaha...Grande coisa! Dividi o prêmio contigo! E foi por diferença de quantas mesmo? Umas quatro, cinco?
- Quatro, cinco? Caralho, Fernando! Que exagero!
- Exagero ou não, eu ganhei!
- Tá bom, Fernando, tá bom! Quero ver semana que vem!
- Ok! Semana que vem tem de novo, então!
- A gente só precisa inventar uma desculpa melhor pras meninas....
- É mesmo! Essa desculpa esfarrapada de hoje não cola mais!
- E, rapá, cê tá doido! Não gosto nem de imaginar se a Paula e a Carol imaginam uma coisa dessas. Acho que elas até perdoariam a gente se nos vissem com outra mulher...Agora, seria traumatizante pras elas descobrir que as trocamos, numa sexta-feira, pela Segunda Copa Skol de Futebol de Play Station, valendo duas dúzias de cervejas.