COLUNA FANTASMA

Contos, crônicas e outros devaneios.

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Contos, crônicas e outros devaneios.
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Terra Blog

Categoria: Opiniões e Devaneios

26.12.07

EDITORIAL

 

Meus queridos sete leitores:

 

A Coluna Fantasma mudou de endereço. Isto mesmo, troquei este provedor, que é um Rayban do Paraguai, pelo Prada dos blogs.

 

Portanto, pra ler todos os textos antigos e as novas postagens vocês podem passar a acessar o seguinte link:

http://colunafantasma.blogspot.com/

 

E, aproveitando que tem conto novo no blog, deixo aqui um trecho dele:

"...se escondia em um canto da própria varanda e se deleitava com os cerca de trinta a quarenta e cinco minutos do despudor e prazer alheio.".

 

Varanda Indiscreta. O novo conto da Coluna Fantasma. Acesse e comente.

11.06.07

EDITORIAL

Bem que eu queria escrever este blog em fonte serifada, mas infelizmente o provedor não deixa. È, o leiaute é simples, limpinho e até bonitinho. Eu gostei, mas só posso postar em Arial e não são admitidas vírgulas, hífens ou outros caracteres diferentes nos títulos. Definitivamente troquei gato por lebre.


Por conta desses dois itens muito relevantes a um perfeccionista como eu, já pensei em mudar de endereço, mas não o fiz porque na primeira migração esta tarefa me tomou três dias. Um dia e meio para migrar os textos e mais um dia e meio para divulgá-los perfil a perfil no Orkut, e-mail de trabalho e e-mail particular.


Tem também o fato de que, já divulguei este endereço aqui para um bom número de pessoas, e se eu mudar novamente, o recall pode ser muito negativo. Ia virar uma puta confusão passar um terceiro novo endereço de blog, já que o primeiro era do Spaces, cujo me revoltou sua burocracia digital para os visitantes fazerem comentários.


Para finalizar, não mudo de blog porque prefiro me penitenciar. Procurei um bom formato de blog em tudo que foi provedor, e esqueci do Google. E alguém que é viciado em computador, e esquece do Google, tem mais que se ferrar.

27.05.07

CONFESSIONÁRIO OU AUTO ANÁLISE II

Já fui um babão de tão apegado ao meu irmão assim que ele nasceu. Já fui um bom empinador de pipa, e acreditem, já fui sim, um bom driblador no futebol. Já tive alergia a gatos e já fui um exímio nadador de piscina de quintal, até meu papai pular dentro da água e me tirar desacordado para fazer respiração boca-a-boca. Já me queimei no cano de descarga da moto do papai, já andei de bicicleta com a mamãe e já usei pijama para dormir.

Já fui colecionador de álbum de figurinhas dos Menudos que davam prêmios, embora nunca tenha ganhado um sequer. Já fui medroso a ponto de acordar papai para falar do barulho da porta, que batia com o vento e por conta disso, já escondi faca debaixo do travesseiro para nenhum fantasma me pegar. Já fui peralta e rasguei a parte anterior da coxa pulando dos degraus da escada por cima de uma tampa metálica da caixa de fiação telefônica, o que não rendeu dez pontos na perna, já que mamãe e papai estavam trabalhando. Já joguei muito Atari e brinquei muito de espingardinha de madeira que atirava feijões, azucrinando tudo que era passarinho e coleguinha perto de casa.

Já amei Balão Mágico e o “Super fantástico” e odiei quando uma loira entrou no lugar. Já aprendi a amar aquela loira e já escutei discos dessa tal de Xuxa pulando e cantando igual doido na cama do meu primo junto com ele.

Já aprendi que o ensino é pior para quem estuda em escola pública, mas pelo menos é um local onde se aprende a ser mais safo para a vida. E lá mesmo, já aprendi a falar palavrão. Já tirei boas notas e não sabia o que era um MS. Já fui ninja de uma gang chamada “Os caveiras” e fiz perseguições a outras gangs com zarabatanas de antena de TV onde as mortes eram causadas por feijões e festejadas com refrigerante. Mas também já fiz perseguições com revólver, sendo policial e bandido. E o que matava dessa vez era a o susto, da espoleta.

Já fumei bituca de cigarro jogada pela janela, já usei brinco para parecer os “New Kids on the Block”, já competi quem imitava melhor o Tim Maia e o Michael Jackson com meu irmão e nuca ganhei, já torci pelo Vascão só para responder para que time eu torcia e já brinquei de médico com a filha de uma amiga da minha mãe na escada do prédio.

Já apanhei de vara de goiabeira do meu pai, já ganhei carrinho de rolimã onde a maior competição era o do joelho mais ralado, já corri atrás de pipa voada e me traumatizei depois que apanhei de um marmanjo só porque cheguei ao local antes e, por direito - de rua, mas direito - a pipa deveria ser minha. Deveria. Já tomei balão numa bola bonita porque quis levá-la embora na hora que a pelada dos pequenos acabou. Já quebrei vidraça de portaria, já brinquei nos pilotis do prédio até minha mãe me buscar pela orelha, já levei cascudo dos mais velhos nas brincadeiras do bloco por ser desaforado e já andei muito de Skate Prolife detonando com todo o piso do condomínio, que por acaso me rendeu muitos gritos do meu pai.

Já deixei minha mãe doida por colocar mais de dez colegas no meu quarto minúsculo para jogar Master Sytem, já fui o melhor jogador de Bete do mundo, já comprei revista de mulher pelada e escondi do meu pai e da minha mãe. Já usei óculos de grau fundo de garrafa e já tive um grande amor na sexta-série quando eu era feio que dói e claro, fui rejeitado porque olhando hoje, não sei como minha mãe me beijava. Já chorei escutando “The time of my life” na gincana do colégio. Já fiz aula de reforço e nunca mais esqueci equação de primeiro grau.

Já tive um amigo de fazer desenhos cujo ganhei apelido de “Sapo Joe”, já inventei uma porção de apelidos para amigos, já tive inúmeras discussões com colegas de sala, já fui rodeado por amigas e já tive uma agenda recheada de mensagens bacanas dessas mesmas amigas. Já não estive nem aí se o Vascão perdia pro framengo (Quem diria), já bati muito bafo com figurinhas à vera, e já aprendi com um cara, que graças a Deus hoje é meu cumpadi, que ser boa gente é do que o mundo mais precisa, tudo isso porque me emprestou o cartucho “Jogos de Verão” do Master System sem nem me conhecer.

Já chorei muito com a separação dos meus pais. Já amaldiçoei a nova mulher do meu pai por ela viajar conosco para Caldas Novas e por isso, já escondi o sapato mais bonito dela no porta-malas do carro, que foi vendido junto com esse sapato que ela nunca achou. Já quis namorar a filha da nova mulher do meu pai e acabei perdendo o ódio da mãe para me aproximar dela.

Já fui nerds, já usei lentes de contato, já tive muita espinha na cara, e já comemorei a primeira vez que ejaculei. Já fui goleiro e frangueiro. Já treinei na Escolinha de Futebol do Morales, no Guará, já fui muito sacaneado por ser levar gol do meio de campo, já chorei por perder um campeonato, já perdi as lentes de contato por culpa desse choro, já tive um grande amigo de estudo e conversas futebolísticas, o Saulo, e já disputei um campeonato sul-americano juvenil em Divinópolis, Minas Gerais. Já aluguei muito filme pornô e também reproduzi para outra fita a maioria. Já gravei todos os jogos de uma Copa que o Brasil ganhou, já vi a mesma Copa comendo Sparkies e tomando Guaraná Antártica. Já fui cinéfilo de ir ao cinema sozinho e assistir a três sessões no mesmo dia e já usei carteira estudantil de amigo para pagar meia. Já joguei muito Super Nintendo, já perdi tardes inteiras com Street Fighter II na locadora de games, já gastei toda minha mesada com fichas de fliperama quando descobri esse jogo maldito em Cabo Frio, Rio de Janeiro. Já madruguei para zerar jogos e já fiquei sem tomar banho três dias em frente ao videogame.

Já fui roqueiro de ir de camisa preta aos shows dos Raimundos, já passei madrugadas a fio jogando Truco, Pôquer e escutando Iron Maiden, Pink Floyd, Legião Urbana e Dire Straits. Já nadei no mar de gente de um show e quase morri por levar uma queda de cima do pessoal. Já joguei muito basquete com o pessoal da quadra, já conquistei medalhas em jogos marcados contra os times do meu primo e já fui técnico de time uma vez na minha vida, mas ainda volto a ser novamente.

Já voltei a ter o apelido de Sapão, já fui adolescente rebelde e já fumei por auto-afirmação. Já malhei na pracinha e já tomei anabolizantes. Já quis fazer Jiu-Jitsu, já usei as calças lá embaixo e já quis brigar só pelo esporte de apanhar, pois não sei brigar. Já viajei sozinho (o que quer dizer sem os pais) pela primeira vez quando passei um reveillon em Caldas Novas, Goiás, que por acaso foi em 96, e a última vez que saí de Brasília no Reveillon, já tive o maior porre da minha vida nessa época. Já roubei e muito cigarro da minha mãe, já levei tapa dela na cara, já fiquei sem falar com meu pai e já presenciei briga judicial dos meus pais. Já quis fumar um baseado (acredite, é verdade: nunca fumei maconha), mas já curti muito a Luana Piovani. Já vi o Vascão ser Campeão Brasilerio duas vezes, também já fui campeão da Libertadores e da Taça Rio-São Paulo, mas também já fui vice para um Real Madrid que jogava tanta bola quanto o Brasiliense. Já beijei pela primeira vez depois de adolescente numa micareta, já escutei muita música baiana (e ainda escuto), já fui à Micarê, já paguei abadá com mesada parcelada em seis vezes e já arrastei amigos para irem comigo, já levei porrada em entrada de show, já levei patolada de um cumpadi, que me fez sentar em tina com água quente e usar um pequeno suspensório para que meu saco parasse de doer, já fui pego nessa situação pela recenseadora do IBGE e depois, por acaso do destino já beijei a tal pesquisadora.

Continuação do Confessionário

Já virei Dreher e Presidente no gargalo, já viajei pela segunda vez sozinho para Caldas Novas, já fui para a pipoca da Baratona com cinco reais no bolso e me diverti como nunca, já ri demais com as filosofias, histórias e causos do Israel, já levei porrada em comemoração de Copa do Mundo, já vi o Brasil perder a final dessa Copa do Mundo, já fui virgem aos dezessete, já competi quem beijava mais garotas numa balada, já azarei mulheres muito lindas e também mulheres muito desfavorecidas esteticamente, já bebi no Sossega Madalena e sai sem pagar, já pintei o cabelo de loiro, já fui vocalista de banda de pagode no intervalo das aulas, já reprovei o terceiro ano e já tive duas namoradas ao mesmo tempo. Já fui ao samba de quinta a domingo, já economizei o troco do pão de toda a semana para ir ao samba no domingo, já tive mais CD’s de samba e pagode que todo meu acervo, já traí a confiança de um amigo por azarar a namorada dele, que me deu mole, e o pior: não peguei a garota e por isso, já levei isso pro meu caixão todos os dias quando dormia, já tive o perdão dele, já perdi a virgindade aos dezoito. Já tive uma primeira namorada de verdade, cujo não mereci sua dedicação, já acabei namoro por telefone, já encontrei uma atração fatal que me ensinou tudo de cama, já deixei de ir à formatura de painho para ir à Micarê, coisa que ainda não me perdoei, já trabalhei vendendo cartela do Bingão para ir ao Salute Salvador com o Chiclete, já vendi consórcio, já vendi curso de inglês, já trabalhei em corretora de seguros, já trabalhei e muito com telemarketing e já viajei no carnaval e joguei um emprego para o alto por conta disso. Já passei no vestibular sem saber como, já comi dezesste fatias de pizza no Primo Piato, já vi amigos se perderem na droga começando com um simples baseado, mas já vi os mesmo amigos renascerem dela.

Já fui ao Maracanã na final do Mundial da Fifa com o Gonzo, Léo e seu Mirão, para ver a decisão entre Vascão e Corinhthians, já tive pesadelos com o pênalti cobrado para fora pelo Edmundo. Já compus vários sambas com o Geléia, já fiz músicas para muitas paixões que passaram em minha vida, já fiquei desempregado por um bom tempo, já levei uma volta de uma japonesa da faculdade, já me dediquei ao curso, já me formei em Publicidade e Propaganda, já fiz estágio em duas putas agências, e com isso aprendi realmente que as melhores escolas são pagas, já fui redator de agência pequena, já fui demitido sem mais nem menos. Já perdi emprego para preparar portfólio, já apresentei o mesmo em meia cidade, já passei muitas, muita e muitas tardes e madrugadas desempregadas a fio criando anúncios fantasmas. Já traí e fui traído, já arranjei um grande amor, já fiz de tudo por esse amor, já fizemos as coisas mais picantes, já passei por baixarias, já levei tapa na cara, já briguei com a sogra, e feio, já viajei com namorada no carnaval para Caldas Novas e Graças a Deus, já me libertei daquele amor bandido.

Já passei dois anos solteiro, já tive um e-mail chamado fernandofarra, já realizei o maior fetiche sexual masculino e acreditem rapazes, é bom demais! Já fiquei com uma namoradinha de manhã, uma outra à tarde e outra diferente à noite, já encontrei mulheres que não valiam nada, e já encontrei outras muito valiosas nesse período, como Isabela, Jaqueline e Fabíola, que por acaso, é mãe do meu filho, pois já sou pai. Já arranjei um bom emprego graças a um grande amigo de codinome Rei, já usei o mesmo terno para trabalhar, todos os dias, durante três meses. Já viajei para a micareta mais inesquecível de todas, o Carnagoiânia de 2004, já fiz uma bandeira do Chiclete com Banana, cujo sou tiete, essa mesma bandeira já esteve no site oficial, Bell já pegou nessa bandeira três vezes e já tive, inacreditavelmente, meu nome ressoado pelo Barbudo. Já encontrei um grande, um super amor, que eu pensava ser para sempre, já tatuei seu nome no braço e hoje me arrependo disso por sofrer uma grandíssima decepção com esse amor. Já capotei meu lindo Gol bola em um acidente que não fui culpado e que de fato, quase me matou. Já fiquei internado quinze dias, já fraturei a bacia em oito, também já fraturei duas costelas, já fiz transfusão de sangue, já fiquei três meses de atestado, já perdi dez quilos, já fiz fisioterapia e hidroterapia, já tive gases, muitos gases e já ganhei uma cicatriz por conta da cirurgia que me salvou. Cicatriz na qual tenho vergonha, mas que estou começando a me habituar. Já voltei a praticar esportes, voltei a jogar bola, mas há muito tempo não sou mais goleiro e também já parei de jogar bola. Já tive um Palio lindo e já tive que me desfazer do mesmo por culpa de dívidas infinitas. Já me separei desse super amor, já tentei voltar a ser putão, sem sucesso. Já li bons livros, já escrevo muito mais que antes, já sinto falta de não ter prestado atenção às aulas de literatura, geografia, história e português no segundo grau, mas já corro atrás de aprender o mais rápido possível. Já chorei de desepero quando soube que seria pai, e depois já olhei sem cair a ficha quando ele nasceu. Já compreendo melhor as coisas que meu filho pede e faz, e também já compreendo melhor os meus pais, já sinto saudades daquele baixote o tempo todo, já vi o Brasil ser eliminado da Copa com meu filho (tão pequeno e tão pé-frio), já descobri que o melhor som do mundo é da voz dele falando papai e já descobri que isso sim, é amor incondicional.

Em tempo: já vi o Vascão mais uma vez ser vice para o framengo e já vi ir abaixo o meu sonho do bicampeonato da Libertadores da América.

Pronto. Resumidamente, bem resumido mesmo, estão aí as boas emoções que tive nos meus vinte e sete anos de idade. E olhando assim, percebo agora que de tudo que já passei, de todas as emoções e sentimentos, só não fui uma coisa: vazio. Não fui. Pretérito.

26.05.07

AUTO ANÁLISE

Busco sempre ser sincero. Mas são com as palavras, verbais ou escritas, que sou mais bem sucedido. A infelicidade da minha incoerência está no fato de mesclar a sinceridade das palavras e das sensações, com atitudes voláteis no campo sentimental.

Apesar de ter um defeito gigantesco, acho que sou uma pessoa do bem. E como qualquer pessoa, também machuco alguém ou acaba me ferindo em decorrência desse grotesco defeito: a covardia. E por que? Porque não consigo ser leal com os sentimentos alheios. E digo leal do tipo que rompe uma relação com a outra pessoa por não gostar em mesma sintonia e intensidade, só para citar um exemplo. Porque isso é respeitar e ser leal a confiança que o igual te depositou. Não, pelo contrário. Eu tenho medo de ferir fazendo isso. E por isso sou covarde. E por isso sou escroto. E por isso sou duas caras. E claro, com toda razão.

Também sou indeciso. O que não é um defeito muito masculino. E, passando pelo inferno astral que passo, não consigo decidir sobre nada mesmo. Tem quase um mês que sinto um certo quê de solidão. Às vezes penso em volta, embora não tenha certeza que queira. Só que também não consigo me divertir com as frenéticas buscas pelo sexo oposto como antes. Mas também não consigo deixar de buscar. Como conseqüência disso, destrato pessoas que, definitivamente, não merecem tamanha punhalada no peito. Pessoas que mereciam todo o amor que já doei a outras pessoas. E que acho que não mereciam desse amor.

Meu coração é burro. Não se apaixona pelas pessoas certas, aquelas que merecem e deviam conhecer meu lado mais intenso, mais vibrante, mais romântico e mais passional. Meu coração é imbecil, porque simplesmente não sabe o que quer da vida. E se o coração é assim, imagine o dono dele.

A maré não está boa para minha embarcação. As ressacas morais estão afundando o barquinho. E só agora, que estou afundando em melancolia, descubro que não estava ancorado, mas estou ficando.