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Átila, definitivamente, é um maldoso. O sacana, inclusive, já perdeu todos os amigos por conta das suas brincadeiras de mau gosto.
O mala leva bem a sério aquele ditado de que perde um amigo, mas a piada, nem pensar. Se derem uma brechinha, ele sacaneia sem pensar duas vezes. E quando cometem uma gafe então? Ele ama. Abaixo seguem algumas das diversas sacanagens que Átila, o tosco e cara-de-pau já aprontou.
***
- Pois é Átila, daí foi assim que aconteceu e...
- Peraí só um pouco. Léo, Léo, chega aí, cara! – Gritou para um amigo que passava de longe.
- Fala, Átila! Beleza?
- Beleza! Chamei você aqui porque eu tava conversando com este meu amigo o quanto alguns nomes são escrotos. Por exemplo, o que você acha de um cara que se chama Gabifran?
- Puta que pariu! Que nome escroto da porra! Caralho, se eu tivesse um nome desses, me matava! Fala sério! Que pais mais filhos da puta, botar um nome desses em alguém!
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Do que você tá rindo?
- Hahahahahahaha, espera, deixa eu pegar ar... – Enquanto isto, o outro amigo esperava com a maior cara de paisagem.
- Dá pra falar agora o que é, Átila? – Indagou Léo.
- Deixa eu te apresentar este meu amigo aqui. Leó, Gabifran. Gabifran, Léo.
***
Em casa, Átila estava no sofá com a namorada e o irmão mais velho fez um comentário.
- Putz, Átila, pra quê compra uma carteira tão tosca? A corzinha até que vai, mas ela é grande demais! Pelo amor de Deus, hein?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- O que foi? Pra quê a risada? - E Átila olhou pra namorada e disse:
- Amor, por favor, fala pra ele que foi você quem me deu a carteira.
***
- Átila, o que tu tá fazendo no computador da Letícia?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Por que tá gargalhando?
- Ela foi tomar banho e deixou o emeesseene conectado!
- E com quem tu tá falando?
- Com o Armando!
- O que tá falando com ele?
- Olha o diálogo, porra! – Disse, exclamando com um largo sorriso.
- Êita, pô! Você tá se passando pela Letícia! Caraca, deixa eu ler direito! Puta que pariu! A Letícia já deu pro Armando?! Que cabuloso! Como você descobriu?
- Joguei um verde no trouxa, falando que tava com tesão e perguntei a cor da cueca dele!
- Kakakakakaka! Átila, tu é um filho da puta de um sacana mesmo, hein! O que tu vai fazer agora?
Átila com um largo sorriso se calou e digitou em letras rosas garrafais cheias de estrelinhas: “Vem pra cá, Armando, tô sozinha!”. E voltou para atender a porta, esperando na sala juntamente com os outros vinte e três convidados da reunião que Letícia organizou.
***
Átila, muito escroto e cara-de-pau, não perdoava nem mesmo a mãe com suas tosquices. Mesmo que o nome dele estivesse em jogo.
Certa vez, ele estava no banheiro, digamos, brincando consigo mesmo. Como a porta do banheiro não tinha tranca, sua mãe o pegou com a boca na botija, ou melhor, com a mão na massa. Ele, que estava sentado no vaso, rapidamente escondeu as coisas. Sua mãe, um anjo, mesmo percebendo o que Átila fazia, para acabar com qualquer constrangimento e para o bem geral familiar, disse:
- Nossa, que cheiro ruim, meu filho! Você precisa tomar um Leite de Magnésia. – Ao que o tosco gargalhou:
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Do que você tá rindo, meu filho?
- Não é número dois, mãe. É punheta mesmo.
***
Mas Átila havia de se dar mal.
- Paixão, me empresta um daqueles gibis de anedotas do seu avô? – Perguntou ele da sala da casa da namorada.
- Átila, eles estão aí na estante, na parte debaixo, onde ficam as coisas da minha mãe. Pode pegar.
- Tá! Brigado!
- Achou, amor?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Que gargalhada é esta?
Ela saiu do quarto e foi ver do que o namorado tanto ria, ao que ele, mostrando um livro de auto-ajuda, com a capa vermelha e um pouco desbotada com o título “Sexo Grupal, Uma Terapia Conjunta”, disse:
- Danadinha sua mãe, hein? Ou será que o livro é do seu pai? Hahahahahahaha.
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe
- Do que você ri? – Perguntou Átila, se recompondo. E ela, o olhando com todo o cinismo do mundo:
- É que este livro não é de nenhum deles dois, meu amor. Este livro é meu.

criado por Fernando
18:49:54
criado por Fernando
17:22:13Tudo é meia-luz e a música é ouvida em alto e bom som. A decoração do local é perfeita nos seus mínimos detalhes, desde o palco bem ornamentado e iluminado que lembra os da Broadway, ao bom gosto dos móveis do local, sejam mesas, cadeiras ou sofás. Os novos freqüentadores ao entrarem ali têm a consciência de que se trata de lugar de nível.
No centro das mesas, os mais caros tipos de whisky são os donos da situação, além de comandar a gritaria nos momentos oportunos. Ali, a tensão e o estresse do cotidiano cedem espaço para as mais curiosas histórias e os mais diferentes tipos de pessoas. Gente importante e engravatada do setor público e privado circula pelo local, assim como belíssimas mulheres maquiadas e provocantemente bem vestidas. Em underwear.
O primeiro show vai começar, os tons de azul da iluminação do clube, mesclado às sombras ficam mais densos. A platéia, noventa por cento masculina, se cala. Uma primeira e belíssima mulher, das pernas bem torneadas, bumbum redondo e acentuado e seios fartos aparece no palco. Alguns surros espalhados pelo clube dizem “É aquela, que foi capa da revista do mês retrasado...”.
Ela se dirige lentamente em direção ao centro do anfiteatro e se agarra a um bastão, uma espécie de pilastra circular metálica, fixada do tablado ao baixo teto do clube. A música barulhenta dá vez a uma canção instrumental, tocada pelo grupo de jazz que está postado em um dos cantos do palco. A luz do clube fica mais turva, e a perfeita iluminação acompanha agora apenas a silhueta da stripper, que começa a dançar sensual e libidinosamente, esfregando-se e deslizando pelo bastão. A mesa de Souza é a primeira em frente ao palco, lugar VIP no clube, mas ele não é um freqüentador assíduo. Na verdade, nem gostava de garotas de programa. Ele foi ao clube com alguns amigos do trabalho que muito insistiram e mesmo assim, só depois que uma reunião que começava às vinte e três e trinta foi cancelada. Tinha grande cargo de chefia na instituição que trabalhava e não era raro sair às duas, três da manhã do trabalho. Sua esposa não gostava, aliás, ela odiava, mas se resignava.
A fogosa stripper sorri para Souza, mas ele, atento, não perde um detalhe da garota. Esta, por sua vez, fica cada vez mais impressionada com ele, tira o sutiã e caminha na direção da mesa e, seminua, deixa cair a linda peça do seu mínimo vestuário no colo de Souza. Os demais gritam, bradam, assobiam e aplaudem. Uma bagunça só. Neste momento, quando Souza está perplexo com a beleza da moça, seu telefone toca. Pelo identificador ele nota que é sua esposa. Antes de atender, ele puxa Carlinhos pela gravata e diz “Eu falei que ia dar merda!”. “Não atende, ô Souza, deixa de ser bundão!”. Ele atende um pouco distante da área vip, mas ainda em meio ao barulho e sua esposa começa o interrogatório.
- Já perguntei, e vou perguntar pela última vez, Souza! Ande você está? Você disse que viria pra casa!
E ele, tentando se esquivar de uma ruiva que senta no seu colo no exato momento, responde como se suplicasse:
- Ok, Lídia, ok amor. Desisto. Eu tô numa casa de stripper, e uma delas está sentada no meu colo. Fui carregado pra cá depois de uma reunião, mas é apenas para desestressar! Eu juro que não fiz nada demais! Você sabe que eu te amo!
Barulho da linha telefônica.
- Souza, você é um grande filho duma puta mesmo! Quando você vai parar com isso? Seu cachorro! Já falei que este seu jeito vai acabar com nosso casamento!
- Mas amor...
- Não quero papo, Souza! Humpf! E ainda me vem com essa desculpa esfarrapada de que está num puteiro! Antes tivesse! Pode ir logo dizendo que reunião é esta que você está!
Obs.: baseado em uma zombaria do colega de trabalho, Alan, sobre meu chefe que é tarado. Por trabalho.

criado por Fernando
19:09:38
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23:29:22
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23:28:22