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criado por Fernando
16:59:29Se existe algo que chama minha atenção e me deixa feliz como publicitário e consumidor é o estabelecimento na qual vejo o esmero que os donos tiveram nos mínimos detalhes. Não importa se é uma pequena lanchonete, um salão de beleza ou motel, se há uma comunicação visual, um padrão legal, eu fico feito bobo.
Acontece que, para se ter bom gosto e deixar seu ramo de serviços, com uma cara bonita, não precisa ser uma multinacional. É preciso apenas que os donos tenham visão empreendedora e arrisquem no potencial do seu negócio. O chamado e já piégas, diferencial do serviço.
Pois bem. Esses dias me falaram muito bem de um local que eu iria gostar muito, um barzinho que ficava na Asa Sul. Melhor ainda, usarei a palavra da moda, um bistrô. Ou boteco em intelectualês. Mas este adjetivo, como sempre, foi um dos meus pré-conceitos até conhecer o local.
Chegando à quatrocentos e doze sul, fiquei surpreso com a pintura vermelha de detalhes amarelo da fachada deste complexo cultural, gastronômico e de entretenimento chamado Rayuela. Eu o chamo assim desde que estive lá, porque de um lado fica o Rayuela, que é, digamos, mais parecido com um barzinho, cujo subsolo abriga uma espécie de taberna/pub para shows de bandas independentes. E do outro é o Rayuela que diz a definição do dicionário para bistrô: um restaurante pequeno e simples, mas aconchegante. Neste tem um bom café, livraria e um local para se fazer festas no andar superior que se assemelha ao conforto da nossa própria casa, com sofás, pufes, tapetes e uma junkbox para tocar os cêdês disponíveis do acervo. E entre os dois ambientes, permeia o clima rômantico a luz de velas nas mesas.
Como eu disse alguns parágrafos atrás, quando estou em lugares que muito me apetecem como este, reparo os mínimos detalhes, começando pelo cardápio, que é um jornalzinho cultural recheado de matérias curiosas e interessantes, cujo, não raro, os freqüentadores acabam o levando para casa. Os pratos da casa são nomes de livros de diversos escritores famosos. Eu mesmo devorei A Hora da Estrela, da Clarice Lispector, e recomendo. Até os forradores, aqueles de papel que ficam entre a mesa e seu prato, são bem desenhados esteticamente e contém trechos de livros de grandes autores.
Honestamente, não parecia que eu estava em Brasília. Senti como se estivesse em um pedacinho qualquer da Espanha, até pela iluminação das velas das mesas, que fazia sombra das silhuetas na parede avermelhada do local. Uma perfeição de fotografia. Devia ter tirado uma foto, porque aí eu poderia dizer que, sei lá, consegui uma dessas promoções de companhia aérea e passei o feriado em Buenos Aires. Pode parecer besta, mas senti até um certo orgulho por estar no local.
Bom, você deve se perguntar se o Rayuela tem alguma coisa ruim, depois de ler este texto tão meloso sobre o local. E eu digo que tem. O Rayuela tem um defeito gigante: não é meu.
***
- Gente, já é o sétimo cliente que fala que veio aqui por conta de um texto num blog chamado Pilastra Fantasma, Espaço Fantasma, sei lá... – Comentou um das donas em tom preocupado.
- Mas isto é bom, não é? – Perguntou o gerente e continuou.
- Poderíamos até pagá-lo pra continuar a escrever! Seria uma boa estratégia de marketing pra gerar uma propaganda boca a boca!
- Não sei, não...– Disse a dona pensativa.
- Ué, por que não? – Retrucou o gerente.
- Se ele continuar falando tão bem assim, ao invés de pagar o tal carinha, irei comprar sal grosso. Muito sal grosso.

criado por Fernando
18:00:06
criado por Fernando
14:38:07