COLUNA FANTASMA

Contos, crônicas e outros devaneios.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007, 20

20.07.07

FOTOGRAFIAS

categorias: Contos
Por que Juninho casou? Ora, eu te conto porquê, por causa de uma fotografia. Aliás, uma, não, várias. Isto mesmo, Juninho casou-se graças a algumas fotografias...

Juninho era, na maioria das vezes, avesso a fotografias. Odiava quando vinham com algum álbum de família para cima dele. “Pra que diabos eu vou querer saber que o idiota do canto da foto é filho adotivo do tio bastardo dela?”, pensava ele quando acontecia uma dessas. Também não gostava de posar para fotos, pois não se achava fotogênico, e sentia ainda, um ar de exibicionismo nas pessoas que gostavam de se auto-retratar a esmo, principalmente depois do advento da máquina fotográfica digital. Mas depois de Talita, isto mudou.

Juninho conheceu Talita através de um desses sites para se hospedar fotos pessoais. Apaixonou-se ao ver toda sua espontaneidade e sensualidade digital. Postou algumas mensagens nas fotos, e, para entrar no universo dela, resolveu fazer aquilo que jamais pensara: abrir um fotoblog. De fachada, pois continha apenas uma foto. E foi através dele que os dois, trocando mensagens se conheceram.

- Juninho, posta mais fotos!
- Não dá. Minha máquina quebrou...
- Ah, tá...E suas antigas? Não é possível que não tenha nenhuma.
- Sabe o que é...Bom, é que...Ah! Meu computador foi contaminado com um vírus!
- Nossa, então você perdeu tudo do seu HD?
- Não, é que...Aliás, sim, não, digo não. Só perdi as fotos mesmo.
- Ah, tá, ahan. Interessante, um vírus que deleta apenas as fotos do computador...
- Pois é, menina. Esses hackers são coisa de louco, não? Cada dia com uma coisa nova...

O casal começou o namoro e, por influência de Talita – que obviamente descobriu que o fotoblog era apenas uma desculpa esfarrapada para conhecê-la – cada vez mais ele tomava gosto por fotografias. E, ao passo do hobby, o namoro também foi ficando mais sério e chegava a hora de Talita conhecer os pais do seu namorado.

Era tradição da família de Juninho oferecer um jantar às namoradas do filho. E era no Jantar da Namorada (nomenclatura criada pelos próprios pais dele) na qual ele não tinha como fugir, que inevitavelmente e naturalmente aconteceria algo que o deixava apreensivo sempre que lembrava: o ritual onde sua mãe mostrava o álbum com suas fotos, inclusive, as da adolescência.

Juninho era traumatizado com suas fotos de adolescência, se achava muito feio, além de pouco fotogênico. Chegou a rasgar todas as fotos, mas como sua mãe tinha os negativos, ela revelou tudo novamente e as escondeu. Não era só o fato das antigas recordações do filho ficarem perdidas no tempo que a preocupava, mas é porque o Jantar da Namorada, segundo ela, não teria graça sem mostrar as fotos de Juninho desde a infância.

Talita foi bem recepcionada pelos sogros, tudo corria bem, mas ele contava os segundos para que aquilo acabasse logo. Terminado o jantar, o pai de Juninho foi à cozinha servir sorvete para todos. Enquanto isso, a mãe do rapaz, já sentava no sofá, chamando sua nora para sentar próxima a ela, pois tinha umas fotos do Haroldo Júnior (a mãe de Juninho sempre o chamava assim, sobretudo quando as namoradas estavam presentes, mesmo sob protestos dele) para mostrar. Pronto, o ato final do drama de Juninho estava concluído. Acontece que, contrariando tudo o que ele pensava que fosse acontecer naquele momento, não aconteceu. E foi vendo Talita olhar aquelas fotos dele, de forma meiga, boba e singela, que descobriu a mulher da sua vida.

- Juninho, como assim, a mulher da sua vida?
- Cara, na minha adolescência eu era tão feio, mas tão feio, que se eu fosse minha mãe, nem me beijaria! Sinceramente eu tinha dó dela de mão dada comigo em público...
- E?
- E aí que, enquanto ela mostrava estas fotos minhas, a Talita não riu! Minhas ex-namoradas sempre riam, me sacaneavam...A Talita, muito pelo contrário, ela disse que eu era uma gracinha! E falou de um jeito tão sincero, simples e terno, que pensei, putz, se ela disse que eu era uma gracinha, naquelas fotografias horríveis, francamente, só pode ser amor.
- Uma prova de que o amor, realmente, é cego. Mas cadê essas fotos?
- O álbum? Tá ali, em cima da mesa.
- Deixa eu dar uma olhada...É, Juninho, pode casar.

NOMES

categorias: Contos
Em um canto bem distante da cidade...

- Caramba, como você tá linda com esse barrigão!
- Ah, obrigada!
- Já sabe se é menino ou menina?
- É menina! – Diz o jovem pai chegando perto da esposa e de seu compadre.
- E já pensaram em um nome, cumpadi? Por que senão, irei sugerir um...
- Temos um que gostamos muito, mas ainda não estamos certos. Qual você sugere?
- Maria Eduarda!

O pai e a mãe se olham perplexos.

- Credo. – Disse a grávida.
- Nossa, cumpadi, que nome horrível! Quer que sua afilhada tenha nome de pobre? – Falou o pai em meio a risos.
- Feio? Mas...
- Não, este não dá, cumpadi. Deixa pra lá. Já tá escolhido, não é amor? Vai ser aquele nome mesmo, aquele que pensamos, parecendo nome de princesa, bem original.
- E qual será, cumpadi?
- Carolayne Stêphanny.
- ...