
Meus queridos sete leitores:
A Coluna Fantasma mudou de endereço. Isto mesmo, troquei este provedor, que é um Rayban do Paraguai, pelo Prada dos blogs.
Portanto, pra ler todos os textos antigos e as novas postagens vocês podem passar a acessar o seguinte link:
http://colunafantasma.blogspot.com/
E, aproveitando que tem conto novo no blog, deixo aqui um trecho dele:
"...se escondia em um canto da própria varanda e se deleitava com os cerca de trinta a quarenta e cinco minutos do despudor e prazer alheio.".
Varanda Indiscreta. O novo conto da Coluna Fantasma. Acesse e comente.

criado por Fernando
09:13:46Átila, definitivamente, é um maldoso. O sacana, inclusive, já perdeu todos os amigos por conta das suas brincadeiras de mau gosto.
O mala leva bem a sério aquele ditado de que perde um amigo, mas a piada, nem pensar. Se derem uma brechinha, ele sacaneia sem pensar duas vezes. E quando cometem uma gafe então? Ele ama. Abaixo seguem algumas das diversas sacanagens que Átila, o tosco e cara-de-pau já aprontou.
***
- Pois é Átila, daí foi assim que aconteceu e...
- Peraí só um pouco. Léo, Léo, chega aí, cara! – Gritou para um amigo que passava de longe.
- Fala, Átila! Beleza?
- Beleza! Chamei você aqui porque eu tava conversando com este meu amigo o quanto alguns nomes são escrotos. Por exemplo, o que você acha de um cara que se chama Gabifran?
- Puta que pariu! Que nome escroto da porra! Caralho, se eu tivesse um nome desses, me matava! Fala sério! Que pais mais filhos da puta, botar um nome desses em alguém!
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Do que você tá rindo?
- Hahahahahahaha, espera, deixa eu pegar ar... – Enquanto isto, o outro amigo esperava com a maior cara de paisagem.
- Dá pra falar agora o que é, Átila? – Indagou Léo.
- Deixa eu te apresentar este meu amigo aqui. Leó, Gabifran. Gabifran, Léo.
***
Em casa, Átila estava no sofá com a namorada e o irmão mais velho fez um comentário.
- Putz, Átila, pra quê compra uma carteira tão tosca? A corzinha até que vai, mas ela é grande demais! Pelo amor de Deus, hein?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- O que foi? Pra quê a risada? - E Átila olhou pra namorada e disse:
- Amor, por favor, fala pra ele que foi você quem me deu a carteira.
***
- Átila, o que tu tá fazendo no computador da Letícia?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Por que tá gargalhando?
- Ela foi tomar banho e deixou o emeesseene conectado!
- E com quem tu tá falando?
- Com o Armando!
- O que tá falando com ele?
- Olha o diálogo, porra! – Disse, exclamando com um largo sorriso.
- Êita, pô! Você tá se passando pela Letícia! Caraca, deixa eu ler direito! Puta que pariu! A Letícia já deu pro Armando?! Que cabuloso! Como você descobriu?
- Joguei um verde no trouxa, falando que tava com tesão e perguntei a cor da cueca dele!
- Kakakakakaka! Átila, tu é um filho da puta de um sacana mesmo, hein! O que tu vai fazer agora?
Átila com um largo sorriso se calou e digitou em letras rosas garrafais cheias de estrelinhas: “Vem pra cá, Armando, tô sozinha!”. E voltou para atender a porta, esperando na sala juntamente com os outros vinte e três convidados da reunião que Letícia organizou.
***
Átila, muito escroto e cara-de-pau, não perdoava nem mesmo a mãe com suas tosquices. Mesmo que o nome dele estivesse em jogo.
Certa vez, ele estava no banheiro, digamos, brincando consigo mesmo. Como a porta do banheiro não tinha tranca, sua mãe o pegou com a boca na botija, ou melhor, com a mão na massa. Ele, que estava sentado no vaso, rapidamente escondeu as coisas. Sua mãe, um anjo, mesmo percebendo o que Átila fazia, para acabar com qualquer constrangimento e para o bem geral familiar, disse:
- Nossa, que cheiro ruim, meu filho! Você precisa tomar um Leite de Magnésia. – Ao que o tosco gargalhou:
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Do que você tá rindo, meu filho?
- Não é número dois, mãe. É punheta mesmo.
***
Mas Átila havia de se dar mal.
- Paixão, me empresta um daqueles gibis de anedotas do seu avô? – Perguntou ele da sala da casa da namorada.
- Átila, eles estão aí na estante, na parte debaixo, onde ficam as coisas da minha mãe. Pode pegar.
- Tá! Brigado!
- Achou, amor?
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe.
- Que gargalhada é esta?
Ela saiu do quarto e foi ver do que o namorado tanto ria, ao que ele, mostrando um livro de auto-ajuda, com a capa vermelha e um pouco desbotada com o título “Sexo Grupal, Uma Terapia Conjunta”, disse:
- Danadinha sua mãe, hein? Ou será que o livro é do seu pai? Hahahahahahaha.
- Hohohohoho, hahahahahaha, hehehehehehe
- Do que você ri? – Perguntou Átila, se recompondo. E ela, o olhando com todo o cinismo do mundo:
- É que este livro não é de nenhum deles dois, meu amor. Este livro é meu.

criado por Fernando
18:49:54
criado por Fernando
16:59:29Se existe algo que chama minha atenção e me deixa feliz como publicitário e consumidor é o estabelecimento na qual vejo o esmero que os donos tiveram nos mínimos detalhes. Não importa se é uma pequena lanchonete, um salão de beleza ou motel, se há uma comunicação visual, um padrão legal, eu fico feito bobo.
Acontece que, para se ter bom gosto e deixar seu ramo de serviços, com uma cara bonita, não precisa ser uma multinacional. É preciso apenas que os donos tenham visão empreendedora e arrisquem no potencial do seu negócio. O chamado e já piégas, diferencial do serviço.
Pois bem. Esses dias me falaram muito bem de um local que eu iria gostar muito, um barzinho que ficava na Asa Sul. Melhor ainda, usarei a palavra da moda, um bistrô. Ou boteco em intelectualês. Mas este adjetivo, como sempre, foi um dos meus pré-conceitos até conhecer o local.
Chegando à quatrocentos e doze sul, fiquei surpreso com a pintura vermelha de detalhes amarelo da fachada deste complexo cultural, gastronômico e de entretenimento chamado Rayuela. Eu o chamo assim desde que estive lá, porque de um lado fica o Rayuela, que é, digamos, mais parecido com um barzinho, cujo subsolo abriga uma espécie de taberna/pub para shows de bandas independentes. E do outro é o Rayuela que diz a definição do dicionário para bistrô: um restaurante pequeno e simples, mas aconchegante. Neste tem um bom café, livraria e um local para se fazer festas no andar superior que se assemelha ao conforto da nossa própria casa, com sofás, pufes, tapetes e uma junkbox para tocar os cêdês disponíveis do acervo. E entre os dois ambientes, permeia o clima rômantico a luz de velas nas mesas.
Como eu disse alguns parágrafos atrás, quando estou em lugares que muito me apetecem como este, reparo os mínimos detalhes, começando pelo cardápio, que é um jornalzinho cultural recheado de matérias curiosas e interessantes, cujo, não raro, os freqüentadores acabam o levando para casa. Os pratos da casa são nomes de livros de diversos escritores famosos. Eu mesmo devorei A Hora da Estrela, da Clarice Lispector, e recomendo. Até os forradores, aqueles de papel que ficam entre a mesa e seu prato, são bem desenhados esteticamente e contém trechos de livros de grandes autores.
Honestamente, não parecia que eu estava em Brasília. Senti como se estivesse em um pedacinho qualquer da Espanha, até pela iluminação das velas das mesas, que fazia sombra das silhuetas na parede avermelhada do local. Uma perfeição de fotografia. Devia ter tirado uma foto, porque aí eu poderia dizer que, sei lá, consegui uma dessas promoções de companhia aérea e passei o feriado em Buenos Aires. Pode parecer besta, mas senti até um certo orgulho por estar no local.
Bom, você deve se perguntar se o Rayuela tem alguma coisa ruim, depois de ler este texto tão meloso sobre o local. E eu digo que tem. O Rayuela tem um defeito gigante: não é meu.
***
- Gente, já é o sétimo cliente que fala que veio aqui por conta de um texto num blog chamado Pilastra Fantasma, Espaço Fantasma, sei lá... – Comentou um das donas em tom preocupado.
- Mas isto é bom, não é? – Perguntou o gerente e continuou.
- Poderíamos até pagá-lo pra continuar a escrever! Seria uma boa estratégia de marketing pra gerar uma propaganda boca a boca!
- Não sei, não...– Disse a dona pensativa.
- Ué, por que não? – Retrucou o gerente.
- Se ele continuar falando tão bem assim, ao invés de pagar o tal carinha, irei comprar sal grosso. Muito sal grosso.

criado por Fernando
18:00:06
criado por Fernando
14:38:07